Ciclo de Projeto, Incorporação e Mercado

Todo mundo que trabalha com o mercado da construção civil sabe (ou deveria saber) que o ciclo de projeto de um novo empreendimento é relativamente longo (em geral não menos de 2 anos entre a aquisição do terreno, definição do produto, concepção de projeto e lançamento).

Este ciclo demanda dos empreendedores uma constante atenção aos movimentos do mercado e uma especial capacidade de antecipar ações. Mas como agir (ou reagir) diante de um mercado com tamanha instabilidade e que passou pela maior crise que se tem notícia na história recente de um país?

O Brasil vivenciou um recente período de crise econômica, crise política e, ao meu ver a pior de todas, crise de confiança! Esta última faz com que as pessoas e empresas represem, não só os investimentos, mas também os planos e as ações de médio e longo prazo.

Nesses momentos é que surge o maior risco de todos: o risco de perder o timming dos novos investimentos quando a crise se estabiliza, o que, se tratando do ciclo de vida do mercado da construção civil, é algo fácil de acontecer pra quem não se antecipa às mudanças do cenário econômico. O planejamento estratégico do negócio precisa estar alinhado com as ações práticas de entrega do produto.

Na última terça-feira (19/02/2019) o economista Ricardo Amorim palestrou em Porto Alegre sobre os recentes indicativos da retomada da economia brasileira (que voltou a crescer nos últimos oito trimestres consecutivamente) e, consequentemente, da retomada da confiança. Não por acaso as grandes construtoras já sentem os reflexos deste cenário e reportam um excelente desempenho desde a virada do ano. Algumas delas falam do “melhor janeiro dos últimos anos”.

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Pode parecer óbvio falar em investir na crise e aproveitar as oportunidades, mas quando a crise que abala o país é tão forte, a ponto de estremecer a confiança dos mercados, todo mundo fica com o pé atrás e, mesmo diante das demonstrações da volta do crescimento, ainda resiste em fazer novos movimentos.

A hora é boa pra quem está atento e confiante. A demanda por imóveis ainda é muito grande no Brasil todo e o mercado demonstrou, durante a crise, uma enorme resiliência e potencial de expansão, mas não perdoa a falta de planejamento. O cenário é promissor e recompensará quem estiver posicionado. Quem quiser aproveitar a retomada da economia e aproveitar as melhores oportunidades já está largando atrasado.

Em resumo, nossa dica para os nossos clientes é apenas uma: projetar já para estar preparado para o cavalo quem vem vindo encilhado!

Uma Reflexão Sobre o Novo Urbanismo

O “Novo Urbanismo” é o termo da moda nas imobiliárias que trabalham com empreendimentos de porte ou loteamentos. Apesar de já não ser mais tão novo, afinal o termo remete a um movimento surgido nos Estados Unidos ainda na década de 80, o tal “Novo Urbanismo” vem se popularizando nas rodas de debate entre arquitetos e urbanistas, mas vem também sendo banalizado nas campanhas dos criativos redatores de agências de publicidade e na boca dos incansáveis corretores de imóveis. É a “Sacada Gourmet” da vez!!

            O urbanismo, de certa forma, nasceu junto com as primeiras cidades. Desde que começamos a construir com propósitos de hierarquia e planejamento, como, por exemplo, as Acrópoles na Grécia, que carregavam um simbolismo, ou igrejas e palácios construídos junto à cursos d’água ou sob a proteção de alguma muralha. Por mais óbvios ou primários que sejam, estes movimentos são princípios de planejamento urbano. Assim construímos nossas cidades e cada período da história contribuiu com a sua lógica de planejamento, própria dos problemas de cada época.

Entretanto, foi apenas a partir da metade do século 19 que os primeiros movimentos de planejamento urbano como conhecemos hoje foram aplicados. Os planos Cerdá de Barcelona e Haussman em Paris foram pioneiros em traçar planos de ocupação e de crescimento para as cidades levando em consideração diferentes aspectos das necessidades cotidianas, como salubridade e mobilidade, criando regulação para altura de prédios, configuração de quadras, largura de ruas, além da implantação de galerias de esgoto, de praças e de transporte coletivo como os metrôs.

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De lá pra cá o planejamento urbano ganhou espaço, valor e adeptos. Tornou-se tema recorrente entre intelectuais e estudiosos influentes. Surgiram diferentes escolas e correntes que contribuíram para transformar, por completo, a maior parte das cidades em que vivemos e conhecemos. 

O planejamento urbano tornou-se vital para o crescimento das cidades, e, embora seja algo que interfira na forma como todos nós nos relacionamos com ela,  até pouco tempo atrás era tratado como uma disciplina inacessível, fosse pela escala, fosse pela complexidade. 

De fato, o tema possui um grau considerável de complexidade pelo aspecto multidisciplinar que ele demanda e pelo potencial de impacto que as ações podem representar na vida da população, porém, a revolução digital e a as novas formas de economia vem transformando a maneira como as pessoas se relacionam com as cidades e o urbanismo está deixando de ser atribuição exclusiva de arquitetos, urbanistas e estudiosos, pra ser objeto de discussão da sociedade. A maior prova disso são as frequentes iniciativas particulares nos mais variados aspectos que influenciam no cotidiano das cidades.

A tecnologia permite que a iniciativa privada possa exercer papel cada vez mais relevante em aspectos como de mobilidade, por exemplo, com a criação de soluções como Uber, BikePoa, Yellow, carros autônomos e etc. O Airbnb, o Skype e a economia compartilhada no geral nos trazem novas formas de se relacionar com a hotelaria, moradia, trabalho e comércio. 

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A cada novo avanço tecnológico surge uma potencial transformação na forma de interação das pessoas com as cidades e de descentralização das ações de grande impacto do estado para a população. 

Precisamos entender que o urbanismo deixou de ser uma disciplina exclusivamente voltada à elaboração de planos e regulação dos projetos de ruas, quadras e edificações (quando muito).

O Novo Urbanismo, aquele que vem sendo banalizado como argumento de venda pelas agências de marketing, vem ganhando um novo aspecto que é a relação dinâmica e transformadora que a tecnologia promove na interação entre as pessoas e as cidades. Este Novo Urbanismo precisa ser pensado de maneira ampla e levar em consideração as novas (e o mais difícil, as futuras) soluções que tem o potencial de transformar nossos hábitos. O desafio é entender como estas transformações irão afetar as necessidades das pessoas que vivem nas cidades para se pensar em um planejamento de longo prazo que seja eficiente.